Sugestão de leitura maio
Filha do Tibete / Soname Yangchen, Vicki Mackenzie
Com o aproximar da realização dos Jogos Olímpicos na China, os manifestantes tibetanos parecem determinados a mostrar o seu ponto de vista
de forma a dar mais visibilidade à sua luta. Querem protestar contra o que eles vêem como uma violação dos direitos humanos por parte da China e querem mais liberdade, tanto política quanto religiosa, na região. O Tibete vem, assim, sendo palco de protestos contra os mais de 50 anos de domínio chinês, constituindo um povo escravo dentro do seu próprio país.
Numa altura em que tanto se fala do Tibete, a Biblioteca Municipal entendeu seleccionar uma obra autobiográfica de uma tibetana que nos relata todas as dificuldades e privações de que foi alvo e que foram ultrapassadas graças à sua persistência inquebrantável e um profundo sentimento espiritual que nunca a abandonou. Esta é uma das características que caracteriza o povo tibetano que, mesmo na adversidade, possuem uma fé verdadeiramente invulgar. A figura de Dalai Lama simboliza todas estas características peculiares deste povo.
Filha do Tibete conta-nos, pois, a história de Soname Yangchen e da sua luta contra a adversidade, num país que se tornara violento e perigoso. De uma infância de escravidão no Tibete até ao êxito de uma carreira como cantora de world music no Reino Unido – passando pelo encontro com o Dalai Lama nas montanhas do Nepal –, este livro é um testemunho magnífico sobre a incessante busca da liberdade.
Soname é uma mulher notável, divertida e voluntariosa. A sua história é de uma imensa força, coragem e, acima de tudo, de um espírito livre, indomável. Um exemplo para os tibetanos e não só.
Sugestão de Leitura abril 2012
Comboio nocturno para Lisboa / Pascal Mercier
A BMA dá mais uma vez destaque ao livro de Pascal Mercier já que o livro está a ser adaptado ao cinema estando as filmagens a decorrer em Portugal. Nicolau Breyner foi um dos atores portugueses convidados a participar nas filmagens ao lado de Jeremy Irons, enter outros.
Numa manhã chuvosa, uma mulher prepara-se para saltar de uma ponte, em Berna. Raimund, o protagonista desta obra, convence-a a não fazê-lo, e consegue, mas depois a mulher desaparece. Tudo o que sabe é que é portuguesa. De tarde, entra numa livraria e, por acaso, descobre um livro de um autor português, Amadeu de Prado, que foi médico, poeta e resistente durante o salazarismo. O livro que o estimula nesta aventura é Amadeu Inácio de Almeida Prado, um ourives das palavras, editado em 1975 em Lisboa.
Raimund é, desde há muito tempo, professor de latim e grego. Este acontecimento despoleta uma “profunda revolução” na sua vida. Recentemente separado de um casamento que nunca o preencheu apercebe-se da rotina que domina a sua vida. Inexplicavelmente e seguindo um impulso irresistível decide abandonar tudo. Começa a aprender português e, uma noite, mete-se num comboio para Lisboa, uma cidade que irá ser o local de todas as revelações: dos mistérios da vida humana, da coragem, do amor e da morte.
Segundo o autor, a escrita de Fernando Pessoa, a sonoridade da música portuguesa, Lisboa como cidade, a ditadura de Salazar, foram factores que o atraíram a Lisboa e a Portugal. A obra de Amadeu foi não só um pretexto para abordar todos estes assuntos mas também para a justificação das várias citações que nos surgem ao longo do livro e que abordam dúvidas existenciais: “ Se é verdade que apenas podemos viver uma pequena parte daquilo que em nós existe, então o que acontece ao resto? “. Não nos podemos esquecer da formação académica do autor toda ela ligada à filosofia.
Sugestão de Leitura Março 2012
Promessa de infância / David Adams Richard

“Aos doze anos de idade, Sydney Henderson empurra o seu amigo Connie Devlin do telhado da igreja. Ao ver o corpo imóvel de Connie lá em baixo, Sydney convence-se de que ele está morto. “Fazei com que Connie viva e nunca mais farei mal a ninguém”, promete Sydney a Deus. Nesse momento, o rapaz levanta-se, limpa o nariz a sangrar e, com uma gargalhada, vai-se embora.” Explorando o modo como a humanidade enfrenta a desumanidade e a impossibilidade da mentira e do desapontamento conseguirem alguma vez destruir a verdade e a grandeza humana, “Promessa de Infância” é um romance situado numa época e local específicos, mas universal na sua mensagem.
David Adams Richards recebeu o Giller Prize em 2000, devido a este romance que apela ao coração, explorando questões fundamentais de forma apaixonada e séria.
Sugestão de Leitura Fevereiro 2012
Nem eu me explico, nem tu me entendes / Xavier Guix

“Tudo o que sei aprendi com a experiência de me relacionar com os outros… A comunicação é o processo que permite essa relação. Por isso é tão essencial: é a capacidade mais importante da vida” É desta forma que o autor começa a introdução deste livro interessantíssimo. Afinal, comunicar é aparentemente fácil, pensamos todos nós. No entanto, as dificuldades de comunicação, inerentes ao próprio acto de comunicar, prevalecem originando a maior parte dos problemas do nosso dia a dia: crises de personalidade, problemas relacionais, conflitos laborais, já para não falar de conflitos a um mais alto nível (guerras). Comunicar, ou antes uma boa comunicação, não é assim tão simples e linear. A ausência de comunicação ou uma má comunicação, quer instintiva quer intencional, pode determinar as nossas relações, a nossa vida. Eu posso defender as minhas crenças desde que não as converta em certezas. Nas sociedades ocidentais as relações transparentes não abundam. Exagera-se no papel que assumimos. Em consequência pode surgir a “descomunicação” que acaba por nos proporcionar uma estranha sensação de impotência e um sentimento profundo de incompreensão.
Um livro recomendado para todos, especialmente, para aqueles que acham que não têm problemas de… comunicação. São exactamente essas pessoas, infelizmente colocadas em cargos e lugares de destaque, que mais problemas nos criam no dia a dia. E como afirma o autor “Se não podemos ser nós no lugar onde passamos mais horas da nossa vida, estamos feitos!”
Sugestão de Leitura Janeiro 2012
Comboio nocturno para Lisboa / Pascal Mercier
Numa manhã chuvosa, uma mulher prepara-se para saltar de uma ponte, em Berna. Raimund, o protagonista desta obra, convence-a a não fazê-lo, e consegue, mas depois a mulher desaparece. Tudo o que sabe é que é portuguesa. De tarde, entra numa livraria e, por acaso, descobre um livro de um autor português, Amadeu de Prado, que foi médico, poeta e resistente durante o salazarismo. O livro que o estimula nesta aventura é Amadeu Inácio de Almeida Prado, um ourives das palavras, editado em 1975 em Lisboa.
Raimund é, desde há muito tempo, professor de latim e grego. Este acontecimento despoleta uma “profunda revolução” na sua vida. Recentemente separado de um casamento que nunca o preencheu apercebe-se da rotina que domina a sua vida. Inexplicavelmente e seguindo um impulso irresistível decide abandonar tudo. Começa a aprender português e, uma noite, mete-se num comboio para Lisboa, uma cidade que irá ser o local de todas as revelações: dos mistérios da vida humana, da coragem, do amor e da morte.
Segundo o autor, a escrita de Fernando Pessoa, a sonoridade da música portuguesa, Lisboa como cidade, a ditadura de Salazar, foram factores que o atraíram a Lisboa e a Portugal. A obra de Amadeu foi não só um pretexto para abordar todos estes assuntos mas também para a justificação das várias citações que nos surgem ao longo do livro e que abordam dúvidas existenciais: “ Se é verdade que apenas podemos viver uma pequena parte daquilo que em nós existe, então o que acontece ao resto? “. Não nos podemos esquecer da formação académica do autor toda ela ligada à filosofia.
O livro está a ser adaptado ao cinema.
Sugestão de Leitura Dezembro
As cinco pessoas que encontramos no céu / Mitch Albom . - Cascais : Pergaminho, 2004.

Este livro retrata a história de um homem chamado Eddie, um idoso que trabalhava como chefe da manutenção num parque de diversões. Eddie era um homem solitário, reservado e isolado, não gostava de estar rodeado de pessoas e dizia que a sua verdadeira família eram as crianças que frequentavam o parque.
A história começa precisamente com a morte de Eddie, num acidente no parque de diversões, quando tentava salvar uma menina. Ao morrer vai para o céu, contudo neste livro, o céu não é descrito como um local repleto de nuvens e anjos, que todos estamos habituados a imaginar, é pois retratado como um local de passagem, onde recordamos as nossas experiências e vivências na terra, onde somos confrontados com toda a nossa vida, no intuito de percebermos a razão da nossa existência e de certos acontecimentos (visto que nada ocorre ao acaso). Assim ao longo desta viagem, Eddie vai encontrar 5 pessoas que, de alguma forma marcaram a sua vida, alguns, familiares e amigos, outros, meros desconhecidos; que o ajudam a entender a sua verdadeira missão na Terra e se esta foi ou não cumprida.
Esta é a fábula que lemos de uma assentada quando nos apaixonamos. É o conto que temos sempre à mão quando nos sentimos perdidos. É a história que queremos escutar vezes sem conta, pois tem aquela capacidade rara e mágica de nos dar a ver a nós próprios e ao mundo a uma nova luz. Este livro é um presente para a alma.
Sugestão de Leitura Novembro
Os jardins da memória / Orhan Pamuk

Orhan Pamuk nasceu em 1952, em Istambul, no seio de uma grande família. Amante das artes plásticas durante a juventude, Pamuk começou por estudar arquitectura, mas acabou por se licenciar em Jornalismo. Nunca chegou a exercer a profissão de jornalista, pois aos 23 anos decidiu dedicar-se a tempo inteiro à escrita. O seu primeiro romance “Cevdet Bey and His Sons”, foi publicado sete anos depois, em 1982, tendo sido distinguido com dois prémios literários da Turquia. No ano seguinte, foi publicada a obra “The Silent House”, que conquistou em França o Prix de la Découverte Européene. A obra que assinalou a sua ascensão no mercado literário internacional foi “A Cidadela Branca”, publicada em 1985 na Turquia e no ano 2000 em Portugal. Entre 1985 e 1988 Pamuk foi professor convidado da prestigiada Universidade de Columbia em Nova Iorque. Foi em Nova Iorque que Orhan Pamuk escreveu grande parte do livro “Os Jardins da Memória”, distinguido em França com o Prix France Culture. Esta foi a obra que cimentou a reputação internacional do autor. “Os Jardins da Memória” é uma obra apaixonante, provocadora e inventiva. Um livro estimulante pelas questões que suscita, maravilhosamente combinadas com o mistério, o amor, a paixão. A sua escrita incide muito em jogos com a identidade pessoal e com a representação do Oriente e do seu misticismo, que gosta de contrapor com a sua experiência ocidental.
O autor tem a sua obra publicada em mais de 40 países e foi distinguido com vários prémios literários entre os quais se destacam o Prémio Internacional IMPAC Dublin (2003), o Friedenspreis (2005), o Prémio Médicis para Literatura Estrangeira (2006) e a 12 de Outubro de 2006 o Prémio Nobel da Literatura.
Sugestão de Leitura Outubro
Era uma vez… o stress e a depressão / António Gomes Bento …[et al.]

8 psiquiatras escreveram outros tantos contos em que dão largas à sua imaginação e criatividade artística e onde afloram também a sua experiência e vivência perante um tema tão complexo e muitas vezes insondável que é a mente humana.
Depressão, solidão e isolamento, falta de perspectivas de vida são temas com que cada vez mais nos debatemos no nosso dia a dia, directa ou indirectamente e com os quais é, afinal, tão difícil de lidar.
No mundo actual, em que os avanços da medicina e a melhoria da qualidade de vida, prolongam a esperança de vida do ser humano, a insatisfação e competição motivadas por uma sociedade globalizada e, muitas vezes, cruel arrasta consigo um número alarmante de solitários, incompreendidos, deprimidos, revoltados, incapazes de lidar com o ritmo frenético e pouco solidário do dia a dia.
Estes profissionais de saúde, embora de forma ficcionada, relatam-nos as suas experiências e até mesmo frustrações perante a adversidade da vida: a impotência do ser humano em se ajudar a si próprio e em querer ser ajudado, sem objectivo de vida e em que, nas palavras de um dos personagens de um conto, “A sua vida, se calhar a vida de toda a gente era uma porta estreita.” e em que “Nunca como até agora tinha percebido a inutilidade do seu esforço.”
Cabe-nos a todos contrariar este desalento. A leitura destes contos poderá ajudar nesse sentido.
Sugestão de Leitura Julho/Agosto
A viagem do elefante / José Saramago . - Lisboa : Caminho, D.L. 2008.

Em meados do século XVI o rei D. João III oferece a seu primo, o arquiduque Maximiliano da Áustria, genro do imperador Carlos V, um elefante indiano que há dois anos se encontra em Belém, vindo da Índia.
Neste livro, escrito em condições de saúde muito precárias, deparamo-nos com uma combinação de personagens reais e inventadas que nos faz viver simultaneamente na realidade e na ficção. Com uma poderosa imaginação de ficcionista, em que a ironia e o sarcasmo se combinam com a compaixão solidária com que o autor observa as fraquezas humanas, o autor relata as peripécias da viagem de um elefante – Salomão.
É um autor sobejamente conhecido, mas muitos não conhecem a sua obra porque, como se ouve muita vez dizer: “é muito complicada”. No entanto, e contrariando esta ideia sempre enfatizamos que o Prémio Nobel da Literatura em 1998 tem uma obra notável. Não é, de facto, um autor de fácil leitura. Por vezes, no meio de uma frase insere com um aparente “sem saber como nem porquê”, uma crítica mordaz à sociedade, á religião, à pequenez dos portugueses. Para os mais incautos é necessário ler nas entrelinhas e com muita atenção até porque a pontuação – praticamente inexistente – nos conduz a uma leitura mais rápida do que é necessário. Ler Saramago e compreendê-lo é saber ler nas entrelinhas.
A riqueza das suas afirmações leva-nos a seleccionar algumas que importa reter:
“…porque a vida ri-se das previsões e põe palavras onde imaginámos silêncios…”
“… e eu aqui, entalada entre hoje e o futuro, e sem esperança em nenhum dos dois.”
“A dura experiência de vida tem-nos mostrado que não é aconselhável confiar demasiado na natureza humana em geral”
“…uma boa coisa que a ignorância tem é defender-nos dos falsos saberes”
“…a voz pública que, como sabemos, é capaz de jurar o que não viu e afirmar o que não sabe…”
De entre as várias análises que vai fazendo destaca-se, nesta obra, uma crítica à sociedade portuguesa ao fazer referência à “trabalhosa constituição de uma identidade nacional coerente e coesa”. Também o Algarve não escapa à sua observação já que, segundo o autor, se tem deixado de falar o português em detrimento das línguas estrangeiras. Ironiza a vitalidade que ocorre quando os portugueses saem de Portugal. Se cá são pessoas apáticas e indiferentes, desprovidas de objectivos de vida, tornam-se pessoas activas e esforçadas logo que saem de Portugal, exemplificando com os emigrantes.
Também os povos ibéricos são abrangidos na sua narrativa ao afirmar que “… por qualquer coisa se põem contentes, são como crianças.”
Mostra a sua descrença na religião, criticando o religiosismo exacerbado dos crentes a quem só lhes interessa o seu próprio bem-estar afirmando a dado passo que: “pela vossa Igreja católica anda muito cinismo”.
José Saramago escreveu esta obra quando estava doente, em 2008. No entanto, em qualquer momento, se nota uma narrativa mais fragilizada ou uma visão mais pessimista. Pelo contrário, está presente a escrita de um autor que gosta de viver.
Sugestão de Leitura
Artur Agostinho foi sobejamente conhecido do público através do seu papel mediático nos órgãos de comunicação social em que se destacou como jornalista, locutor de rádio, apresentador de programas televisivos e actor de teatro, cinema e telenovelas. Com um longo e notável currículo, foi um homem dotado de uma inteligência, vitalidade e versatilidade mais que reconhecidas e comprovadas.
A sua faceta de escritor é, talvez, a menos conhecida e ao lermos a sua, ainda que reduzida obra, chegamos à conclusão que a mesma deveria ter mais destaque no panorama das letras nacionais, face aos temas abordados. Para além de obras documentais, este seu segundo romance, alerta para um dos maiores problemas de sempre da sociedade – a droga -.
Sendo um tema recorrente para muitos autores, a apresentação deste assunto através da forma ficcionada de um romance de fácil leitura é um livro recomendável para todos, especialmente para os mais novos que poderão, assim, tomar conhecimento através de uma narrativa intensa e entusiasmante, dos vários ardis utilizados para a iniciação dos jovens no complexo mundo da droga.
Um romance recomendável pelo seu didactismo e qualidade de expressão.
Uma lição de vida de quem, pelas suas inúmeras capacidades, ainda nos tem muito a ensinar.
Artur Agostinho honrou-nos com a sua presença na Biblioteca Municipal de Alcanena no dia 12 de Julho de 2008 para a apresentação do referido romance. Aos que não tiveram o privilégio de poder partilhar com o autor as suas explicações aqui fica o nosso convite para a leitura desta obra verdadeiramente emocionante.
O seu personagem principal – Carlos Miguel – representa, infelizmente, muitos Carlos Miguéis que diariamente e cada vez mais se cruzam connosco. Este optou pela recuperação com a ajuda dos verdadeiros amigos. Não é o caminho mais fácil para quem se deixa enredar pelas teias da droga. Mas, alcançada a vitória é extremamente reconfortante e motivante, comprovando a velha máxima de que tudo é possível.
EXPOSIÇÃO ANTÓNIO DAMÁSIO

Médico neurologista e investigador português, nascido em 1944 na cidade de Lisboa. Está radicado nos Estados Unidos da América desde 1975 e é actualmente professor no Centro de Neurociências David Dornsife e Director do Instituto do Cérebro e da Criatividade da Universidade Sul da Califórnia dos E.U.A.
O investigador foi distinguido com o Prémio Honda 2010, um dos mais prestigiados a nível internacional. É o 31º vencedor do Prémio, num valor aproximado de 80 mil euros. Damásio é um dos mais brilhantes investigadores do mundo no estudo do cérebro, considerado um dos pais do “cérebro emocional”, cujo trabalho a Fundação Honda reconheceu pela sua “pioneira contribuição para o mundo das neurociências”. O prémio foi entregue no dia 17 de Novembro no Imperial Hotel, em Tóquio.
António Damásio é mais um português a ser distinguido com um dos mais importantes prémios internacionais, que embora seja menos conhecido que o Prémio Nobel é igualmente importante. O Prémio Honda foi instituído em 1980 pela Fundação Honda do Japão, actualmente liderada por Hiromori Kawashima. A Fundação foi criada em 1977 com doações feitas pelos fundadores da Honda Motor Co. Lda., Soichiro Honda (1906 – 1991), um industrial japonês e o seu irmão mais novo Benjiro Honda. Os industriais japoneses tinham o desejo de contribuir com novas ecotecnologias na área das ciências para o bem-estar do planeta e da Humanidade. Assim, e para cumprir com os seus desejos, a Fundação entrega todos os anos um prémio internacional em reconhecimento do trabalho de um indivíduo ou grupo que tenha contribuído com novas ideias na área das ciências e das ecotecnologias. Quanto à distinção de António Damásio, a Fundação Honda comunicou que grande parte da evolução nos estudos sobre a ligação entre o cérebro, o comportamento humano e o corpo deve-se à teoria desenvolvida pelo investigador português.
Como investigador, o interesse principal de Damásio centra-se na neurobiologia especialmente nos sistemas neurais em que facilitam a memória, a linguagem, a emoção, a decisão e a consciência. A sua investigação até à data indica que as emoções desempenham um papel fundamental na cognição de alto nível, uma ideia que contrariava a visão da psicologia, neurociência e da filosofia. Ele mostrou que as emoções e os seus fundamentos biológicos estão envolvidos na tomada de decisões, tanto positivamente como negativamente, e muitas vezes não conscientemente.
Para mostrar a sua teoria, Damásio desenvolveu a hipótese de marcadores somáticos que captam a essência das ideias e explicam o papel crucial da emoção na tomada de decisões. Segundo o cientista, “as decisões são auxiliadas por “marcadores somáticos”, modificações do estado do corpo que correspondem a reacções emocionais”. A sua teoria foi desenvolvida através do estudo de pacientes com danos em regiões do cérebro ligadas às emoções, como o córtex pré-frontal e as amígdalas. Ele descobriu que a incapacidade na tomada de decisões e o comportamento inadequado social dos pacientes foram causadas por não saberem corresponder com emoção ao conteúdo dos seus pensamentos. A sua hipótese foi subsequentemente testada usando técnicas de imagem cognitivas e funcionais psicofisiológicas.
A sua teoria é muitas vezes discutida em revisão de trabalho teórico e experimental, razão pelo qual Damásio foi nomeado pelo Institute of Scientific Information como um dos investigadores mais citados. Damásio tem também influenciado bastante as investigações nas decisões morais da biologia, neuroeconomia, comunicação social e da dependência da droga.
Em homenagem a António Damásio, o Presidente da Universidade de Califórnia Sul, C. L. Max Nikias, declarou que “com este prémio, a Fundação Honda honrou um investigador muito singular”. Afirmou ainda que “o Professor Damásio reflecte a convicção que rege o seu núcleo de investigações: a ciência e a tecnologia não são fins em si mesmo, mas são meios para nos tornarem humanamente mais ricos e para contribuir para uma sociedade mais humana”. Disponível em WWW: (http://college.usc.edu/news/stories/793/antonio-damasio-wins-honda-prize/).
António Rosa Damásio tinha os seus 15 ou 16 anos quando começou a ficar obcecado pelos mecanismos mentais, achava que para aprofundar essas questões teria de se tornar escritor ou cineasta. Nessa altura para este jovem fazia sentido, visto que também tinha uma grande paixão pela literatura e pelo cinema. Um dia, já no liceu, ao falar com Joel Serrão, professor de História e Filosofia, disse-lhe que estava a tentar decidir se ia seguir a via literária ou científica, a resposta do professor foi “O que tu queres ser é neurologista”. O professor recomendou-lhe a leitura de vários livros, um dos quais de Egas Moniz, e foi assim que ponderou bem o futuro, decidindo-se pela medicina, caminho que o levaria à neurologia. Entrou então na Universidade de Lisboa Faculdade de Medicina, onde também fez residência na especialidade de neurologia e completou seu doutoramento.
Começou primeiro por trabalhar no Laboratório de Estudos de Linguagem no Centro de Estudos de Egas Moniz (1971 – 1974) e em Janeiro de 1974 passou a Professor Adjunto em Neurologia na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. No entanto, Damásio achava que o meio médico português não era exactamente o que queria, e em 1975 muda-se para os Estados Unidos com a esposa Hanna. Aí começa a trabalhar como investigador do Centro de Investigação Aphasia, de Boston sob a supervisão do falecido Norman Geschwind, neurologista da Universidade Harvard.
Entre 1975 e 2005 trabalhou na Universidade de Iowa onde desenvolveu inúmeros trabalhos de investigação, sobretudo direccionados para o estudo da neurociência da mente e do comportamento, tendo alargado o estudo nas doenças de Alzheimer e de Parkinson. Durante este período, também desempenhou várias funções, entre elas: Professor Adjunto (1975 – 1976); Director do Centro de Investigação da doença de Alzheimer (1985 – 2005); Coordenador da Secção de Neurologia (1986 – 2005); Professor catedrático no Campus Van Allen da Universidade de Iowa (1989 – 2005) e Chefe de Divisão de Neurologia e Comportamento no Departamento da Neurologia (1977 – 2005).
Em 2005 parte para a costa oeste dos Estados Unidos com a mulher Hanna Damásio, também uma neurocientista portuguesa e especialista de renome em imagiologia cerebral. É autora do primeiro atlas do cérebro elaborado a partir de imagens obtidas por ressonância magnética. Em conjunto com o marido tem desenvolvido importantes estudos sobre cartografia cerebral. É actualmente professora no Centro de Neurociências Dana Dornsife na Universidade Sul da Califórnia e directora do Centro de Neurociências Dornsife de Imagiologia Cognitiva. É também co-directora do Instituto do Cérebro e da Criatividade da Universidade Sul da Califórnia Instituto, fundado em 2006 pelo casal.
Hanna tem desde sempre colaborado nas investigações do marido, o diálogo entre o casal é essencial sobretudo no aspecto experimental, Damásio admite ter muita capacidade teórica enquanto ela tem uma grande capacidade experimental. Em Iowa, promoveram a criação de um importante centro de investigação para o conhecimento da actividade cerebral e suas relações com a memória, linguagem, emoções e os mecanismos de decisão. O centro de investigação é um dos principais laboratórios de neurociências cognitivas do mundo científico em relação ao cérebro e à mente. Para além de colaboradora nas suas investigações, Hanna é também co-autora de vários artigos com o marido.
Como um dos mais importantes cientistas do mundo, a sua investigação tem sido determinante na especialidade da neurologia, obteve uma série de distinções e prémios nos EUA e na Europa, entre os quais: o prémio American Medical Association (1990), o prémio William Beaumo, o prémio Golden Brain Award em 1995, o Prémio das Astúrias de Investigação Científica e Técnica em Junho de 2005 e, em 1992 em conjunto com a sua mulher recebe o Prémio Pessoa em Portugal. Foram ainda publicados inúmeros artigos e entrevistas em várias revistas Americanas, portuguesas e internacionais: na Super Interessante, edição de Maio nº 164 de 2001 aparece uma entrevista feita ao investigador «António Damásio – Entrevista com um dos maiores neurologistas do mundo», em 2007 a revista Americana Time dedicou-lhe uma capa e um artigo de oito páginas. Mais recentemente, no dia 15 de Setembro deste ano, a Goody lançou uma nova revista “Quero Saber”, uma revista para aqueles que tem curiosidade em saber, sendo que o primeiro número da revista contém uma entrevista do neurologista português.
O investigador é também um conhecido conferencista, desde 1981 que é maitre de conferences em neurologia do comportamento na Universidade de Harvard, tendo apresentado várias conferências importantes em instituições científicas, seminários e congressos nos EUA. É também membro de diversas academias e instituições americanas e europeias, como: a National Academy of Science, a American Academy of Neurology, a European Academy of Sciences and Arts, a Academy of Aphasia e da Behavioral Neurology Society, das quais foi presidente. Desde de 1997, Damásio e a mulher também são membros da National Academy of Sciences and Arts. Faz também parte do Conselho de Curadores da Fundação Champalimaud, onde é um dos 12 Curadores de mérito nos meios científicos que acompanha as linhas gerais de funcionamento da Fundação.
No dia 3 de Maio de 2009, a música, a arte e a ciência juntaram-se num musical sobre a evolução da mente. O compositor norte-americano Bruce Adolphe convidou o neurocientista português António Damásio e o violoncelista de origem chinesa Yo-Yo Ma para participarem na produção de uma peça musical multimédia sobre a evolução da consciência humana, intitulado “Self Comes to Mind” em português “O Eu Vem á Mente”. A peça foi apresentada no LeFrak Theater, no Museu Americano de História Natural, em Nova Iorque. Ao ritmo da música do violoncelista, surgem projectados num ecrã gigante imagens do cérebro da autoria da esposa Hanna Damásio sobreposto por pequenos textos poéticos escritos e lidos por António Damásio. Este é o terceiro trabalho de Bruce Adolphe em que usa os textos de António Damásio. Os dois primeiros “Body Loops” e “Memories of a Possible Future” foram inspirados nas ideias escritas no livro do cientista “O Erro de Descartes”.
Para além de médico e investigador da neurociência António Damásio é também um escritor conceituado a nível mundial, afirma que “a literatura faz parte da minha vida pessoal e profissional e nunca fiz grande distinção entre a vida do cientista e do artista – seja um escritor, músico ou cineasta.” Diz ainda que escreve por gosto e que nunca entendeu a razão “porquê que livros ou artigos científicos têm que ser escritos sob o cânone habitual, extremamente maçador e com compartimentos que são absolutamente falsos e nem sequer reapresentam a marcha do pensamento científico”. São vários os livros e artigos publicados pelo neurologista que descrevem a seu pensamento do ponto de vista científico, entre eles: A Erro de Descartes : Emoção, Razão e Cérebro Humano (1995). O Sentimento de Si : O Corpo, a Emoção e a Neurobiologia da Consciência (2000); Ao Encontro de Espinosa : Emoção, Razão e Cérebro Humano (2003). Todos com êxito e traduzidos em várias línguas. A sua obra mais recente foi lançada em Portugal no dia 24 de Setembro de 2010, O Livro da Consciência.
António Damásio tem dedicado a sua vida ao estudo das bases biológicas da consciência na tomada de decisões e no sentido moral, áreas da neurociência que até há pouco tempo eram consideradas totalmente inacessíveis aos métodos da experimentação no laboratório. Mas o gosto pelo seu trabalho tornou-o num especialista de renome nos mecanismos de funcionamento do cérebro e pioneiro na investigação sobre a inteligência emocional através de imagem.
Obras de António Damásio disponíveis na
Biblioteca Municipal Dr. Carlos Nunes Ferreira
Ao encontro de Espinosa : as emoções sociais e a neurologia do sentir
(Medicina - Cota: 616 DAM)
O erro de Descartes : emoção, razão e cérebro humano
(Psicologia - Cota: 159.922 DAM)
O sentimento de si : O corpo, a emoção e a neurobiologia da consciência
(Psicologia - Cota: 159.922 DAM)
Estam também disponíveis em www.youtube.com vários vídeos do neurologista português a explicar a sua teoria sobre as emoções (em Inglês), é possível também encontrar on-line artigos em formato pdf escritos pelo neurologista.
Fontes de Informação:
http://cercor.oxfordjournals.org/content/10/3/295.full.pdf+html?sid=88b0ee8f-c053-4bcd-b1b0-0b9493c64212
http://college.usc.edu/cf/faculty-and-staff/faculty.cfm?pid=1008328&CFID=7457342&CFTOKEN=72492027
http://college.usc.edu/news/stories/793/antonio-damasio-wins-honda-prize/
http://rider-and-road.com/Makers/honda_motor_company_ltd.htm
http://uscnews.usc.edu/science_technology/brains_and_beauty.html
http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:J6frUt2eHOgJ:jn.sapo.pt/revistas/ns/interior.aspx%3Fcontent_id%3D1686697+artigos+escritos+por+ant%C3%B3nio+dam%C3%A1sio+%2B+c%C3%A9rebro+humano&cd=5&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt
http://world.honda.com/news/2010/c100921Honda-Prize-2010/
http://www.boasnoticias.pt/index.aspx?p=MenuDetail&MenuId=3555&ParentId=25
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=31254&op=all
http://www.fchampalimaud.org/home/portuguese-summary/organizacaeo/
http://www.nytimes.com/2009/05/05/arts/music/05ma.html
http://www.rtp.pt/gdesport/?article=755&visual=3&topic=1
http://www.thelearningmaestros.com/sctm/
http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,1580386,00.html
http://www.ua.pt/event/Pageimage.aspx?id=4936
http://www.usc.edu/schools/college/bci/
http://www.usc.edu/schools/college/bci/documents/publico.pdf
http://www.youtube.com/watch?v=1wup_K2WN0I&feature=related
Sugestão de Leitura

O barco aberto / Stephen Crane . – Vila Nova de Famalicão : Quasi, 2008.
Stephen Crane foi um brilhante jornalista e romancista norte-americano e um dos maiores representantes do movimento naturalista dos Estados Unidos. A sua obra é uma referência no panorama das letras norte-americanas, sendo a mais conhecida, o conto O barco aberto, aqui sugerido, que versa a angústia e impotência do homem perante a natureza imensa, indiferente e esmagadora.
Narrativa notável, baseada numa situação verídica de naufrágio que ocorreu exactamente com o escritor enquanto correspondente de guerra, descreve-nos a experiência de quatro homens em luta pela sobrevivência, num bote à deriva no mar. Como o próprio autor refere: “Seria difícil descrever a subtil fraternidade que aqui no mar se estabeleceu entre os homens.” Especialmente quando se debate perante os homens uma adversidade como uma eminência de um naufrágio.
EXPOSIÇÃO - EDGAR ALLAN POE

O destaque para o mês de Janeiro/Fevereiro vai para o escritor norte-americano, EDGAR ALLAN POE, um escritor macabro, explorando sistematicamente os temas da morte e do horror.
Edgar Allan Poe nasceu em Boston em 19 de Janeiro de 1809, filho de um casal de actores, David Poe Jr., e Elizabeth Arnold Hopkins Poe. Morreu no dia 7 de Outubro de 1849 em Baltimore, Filadélfia, com apenas 40 anos, sozinho na agonia e na pobreza. A sua própria morte está envolta em mistério, desconhecendo-se as causas exactas.
Um Mestre das histórias de mistério, ficção científica, horror e fantasia foi um homem de grande imaginação. Considerado, juntamente com Júlio Verne, um dos pioneiros da literatura de ficção científica e fantástica modernas. Também foi um dos autores mais influentes e mais lidos da literatura ocidental do século XX, escreveu contos clássicos de mistério e terror, como o poema The Raven (em português “O Corvo”).
A exposição biográfica vai estar patente no primeiro piso da Biblioteca Municipal a partir do dia 19 de Janeiro de 2010 até ao dia 26 de Fevereiro de 2010.
EXPOSIÇÃO - VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

A Violência Doméstica é a principal causa de homicídios em Portugal. Só em 2008 segundo um relatório da UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta, terão sido assassinadas 43 mulheres, e até Maio de 2009, mais 10. É este o cenário negro da Violência Doméstica em Portugal.
A Violência Doméstica é um problema universal que atinge milhares de pessoas, em grande número muitas vezes de forma silenciosa e encoberta. É um problema que envolve ambos os sexos e não obedece a nenhum nível social, económico, religioso ou cultural específico, ao contrário da ideia generalizada concebida que a violência doméstica só afecta o sexo feminino e um certo nível social. A verdade é que só em 2008 a PSP e a GNR registaram 27.144 queixas das quais 9,2% dessas pessoas eram de vítimas com cursos superiores.
Muitas vezes, o medo, a vergonha, a dependência económica e a preocupação com os filhos são as primeiras dificuldades em fazer uma denúncia.
Não se cale! Diga não a Violência Doméstica.
Exposição patente na Biblioteca Municipal a partir do dia 25 de Novembro, no átrio do 1º Piso.
EXPOSIÇÃO - ALICE VIEIRA
Alice Vieira nasceu em 1943, em Lisboa. É licenciada em Germânicas, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em 1958, iniciou a colaboração no Suplemento Juvenil do Diário de Lisboa e, a partir de 1969, dedicou-se ao jornalismo, tendo vindo a publicar livros desde 1979. No ano de estreia recebeu o Prémio de Literatura Infantil Ano Internacional da Criança, com Rosa, Minha Irmã Rosa; em 1983, com Este Rei que Eu Escolhi, foi distinguida com o Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura Infantil; e, em 1994, venceu o Grande Prémio Gulbenkian, pelo conjunto da obra. Recentemente foi indicada pela secção Portuguesa do IBBY (internation Board on Books for Young People) como candidata portuguesa ao Prémio Hans Christian Andersen - o mais importante prémio internacional no campo da literatura para crianças e jovens, atribuído a um autor vivo pelo conjunto da sua obra.
Durante todo o mês de Dezembro, estará presente na Sala Infanto-Juvenil da Biblioteca Municipal de Alcanena uma exposição dedicada a esta autora, onde serão divulgadas as obras que estão presentes na Biblioteca, como sugestão de leitura para os mais novos.
"Uma história de vida, um registo"
No âmbito das Comemorações do Dia Internacional de Histórias de Vidas, que foi celebrado no passado dia 16 de Maio, realizaram-se vídeos pelas Bibliotecas e Centros de Novas Oportunidades de todo o país. A Biblioteca Municipal de Alcanena participou nesta iniciativa" Uma história de vida, um registo", através do testemunho em video daSr.ª Maria Alzira Bento e Silva que relatou alguns dos episódios mais marcantes da sua vida familiar…Histórias de resistência do avô, dos pais e de mais familiares…
Esta iniciativa concretiza-se na recolha e na difusão de histórias de vida, sendo uma forma de promover a integração pessoal e social, bem como a identidade e memória. O vídeo está disponível na página de Internet do projecto MemoriaMedia.
Poderá visualizar os vídeos acedendo aos seguintes links :
http://www.memoriamedia.net/historiasdevida/index.php?option=com_content&view=article&id=215&Itemid=221
http://www.memoriamedia.net/historiasdevida/index.php?option=com_content&view=article&id=216&Itemid=222
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